segunda-feira, 16 de março de 2015

Os Funerais do Amor








Os Funerais do Amor...Em italiano fica mais bonito: “I funerali dell’ amore...”
 Os Funerais do Amor era um quadro colocado à venda na vitrina de um antiquário grego.
 Era um cortejo de bailarinos descalços, carregando guirlanda de flores, como se estivessem ido para uma festa, mas não era uma festa; estavam todos tristes...Os amantes separados e chorosos atrás do amor morto, um menininho encaracolado e nu, estendido numa rede. Ou num crochê...?
 Tinha flores espalhadas pela estrada, o cortejo ia indo por uma estrada. Pena que eram rosas brancas...As rosas brancas murcham mais depressa.

 Um fauno menino consolava uma amante tão pálida...Tão dolorida...


Fonte imagem: httpcemiteriodasimagens.blogspot.com.br201111rosa-red_14.html#axzz3UbY5CyOD
Fonte texto: Lygia Fagundes Telles in: Antes do Baile Verde – Os Objetos

A Adaga






Quando olhamos para as coisas, quando tocamos nelas é que começam a viver como nós; muito mais importante do que nós, porque continuam.
 O cinzeiro recebe a cinza e fica cinzeiro; cinzeiro sem cinza não tem sentido nenhum.
 Os objetos só tem sentido, quando têm sentido. Fora disso...Eles precisam ser olhados, manuseados, como nós. Se ninguém me ama eu viro uma coisa ainda mais triste do que um cinzeiro sem cinza... por que ando, falo, indo e vindo como uma sombra, vazio, vazio...É o peso de papel sem papel, o cinzeiro sem cinza...Fico aquela adaga ali fora do peito. Para que serve uma adaga fora do peito?

 Uma lua de prata tão aguda...Fui eu quem descobriu essa adaga.



Fonte: Lygia Fagundes Telles in: Antes do Baile Verde – Os Objetos